Tristeza

terça-feira, 16 de setembro de 2014



Não consigo acreditar que Rousseau tem mais direito que eu, ou qualquer outro sobre achar de si um ser humano diferenciado... Pois então, eu ainda uso humildade. No caso do gênio, o mesmo se coloca como um ser o único e fora dos padrões sociais. 

 Se eu pudesse, encontraria Rousseau e diria a ele que não é o único. Que o acolhimento da sinceridade, e cito aqui referência, está em mim, antes dele mesmo ter-me apresentado:


"[A diferença que existe entre o meu homem verdadeiro e o da sociedade é que este é rigorosamente fiel a toda a verdade que nada lhe custe]
A santa verdade que seu coração adora não consiste em fatos indiferentes e nomes inúteis, mas em atribuir com fidelidade a cada um o que lhe é devido nas coisas que de verdade são suas, imputações boas ou ruins, retribuições de honra ou censura, de louvor ou repreensão. Ele não é falso com os demais, por que sua equidade não o permite e por que ele não quer prejudicar alguém injustamente, nem a si mesmo, por que sua consciência não o permite e porque ele não conseguiria atribuir-se o que não é seu. 

É sobretudo à sua reputação que ele se apega.


Jean Jaques Rousseau – Os devaneios do caminhante solitário."

Por Ariana L. Prestes

Hiroshi Yoshida

sábado, 13 de setembro de 2014



Embriagai-vos
É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso; eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar. Mas – de quê ? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder:
- É a hora de embriagar-se! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.

Charles Baudelaire, Petits poémes en prose, 1869.





Desejo embriagar-lhes neste blog, de virtude. Vou permanecer sempre a postar, mesmo que forma desritmada, aqui. Com prazer e a intenção de compartilhar o que eu acredito ser de melhor -Que eu conseguir encontrar.
Eu gosto deste período da história, da informação e de alguns pontos da liberdade. 

Eu quero seguir, e quero estes que retornam, sigam a valorizar, mesmo que em silêncio.
É bom ver que vocês voltam aqui.

Por Ariana L. Prestes

homem moderno

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Destro em bulir a superfície das coisas
Em benefício de enganar e enganar-se, assim,
Por cunho e emprego de significância,
Vem com disfarçada ignorância,
Pai de imagem latente, tesa,
Desleixa em manter outros pobres à esma.

Homem moderno, ignorante de si,
Incompetente no que pensa do agora,
Mediocrizando-o em crer pôr forma,
Ridente, satisfeito com o momento.
Desconhecedor do poder da ilusão
Nos fragmentos de anódino fundamento.

Que valor, eu espectador, então,
Sem o abraço de algum outro irmão
Nestes momentos de solidão
 Vivos em tristeza, memória e saudade
Que trazem a mente transigente opção,
Nada esperar destas capacidades.

Permanecendo na primitiva verdade
Entrego a alma à simplicidade,
Pra fugir, com imposto esmero,
Julgar Viver quão ridículo erro
Pra nunca trair a realidade
Não vacilar pra iniquidade.

Diotima Renard


Por Ariana L. Prestes

"Sempre que se começa a ter amor a alguém...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

...no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. 
Amor desse, cresce primeiro; brota é depois."

- João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: veredas.

Por Ariana L. Prestes

Why aren't we more compassionate?

segunda-feira, 1 de setembro de 2014




Werther, where are you to be kind and good to me?
Por Ariana L. Prestes

"Medo"



E cedo porque me embala 
Num vai-vem de solidão,
 É com silêncio que fala, 
Com voz de móvel que estala 
E nos perturba a razão
E nos perturba a razão
...

Por Ariana L. Prestes


-Johann Wolfgang von Goethe: O Divino e Elegia

sábado, 30 de agosto de 2014

Muito Obrigada.


O divino

Nobre Seja o homem,
Solicito e bom!
Pois isso apenas
O distingue
De todos os seres
Que conhecemos.

Louvemos os seres
Supremos, ignotos,
Que pressentimos!
A eles deve igualar-se o homem!
Que o seu exemplo nos ensine
A crer naqueles.

Pois insensível
É a Natureza:
O Sol alumia
Os maus e os bons,
E o criminoso
Vê como os melhores
Brilhar Lua e estrelas.

O vento e as torrentes
Trovão e granizo,
Desabam com estrondo
E atingem
No seu ímpeto
Um após outro.

Também a sorte anda
Às cegas entre a multidão
E escolhe, ora os cabelos
Inocentes do menino,
Ora a cabeça calva
Do culpado.

Grandes leis
Eternas, de bronze,
Regem os ciclos
Que todos temos de percorrer
Na nossa existência.
Divino
Mas só o homem
Consegue o impossível:
Pois sabe distinguir,
Escolher e julgar;
Por ele o instante
Ganha duração.

Só ele pode
Premiar os bons,
Castigar os maus,
Curar e salvar,
Unir com sentido
O que erra e se perde.

E nós veneramos
Os imortais
Como se homens fossem,
E em grande fizessem
O que em pequeno os melhores
Fazem ou desejam.

Que o homem nobre
Seja solícito e bom!
incansável, crie
O útil, o justo,
E nos seja exemplo
Daqueles seres que pressentimos! 

- Johann Wolfgang von Goethe



Elegia
E quando o homem emudece de dor
Um deus me deu dizer tudo o que sofro.

Que hei-de eu então do reencontro esperar,
Do botão deste dia inda fechado?
Paraíso e inferno, de par em par

Se abrem ao meu espírito desvairado
Não tenho dúvidas! Ao céu vai subir,
P’ra nos braços a ti te receber.

E assim no paraíso já te vejo,
No eterno e belo reino, sem merecê-lo;
Não te restou esperança, ânsia, desejo,
Era esta a meta do mais íntimo anelo,
E ante uma tal beleza nasce o espanto,
Secou a fonte de nostálgico pranto.

Que célere o bater de asas do dia!
Um a um os minutos a ceder!
À noite, o beijo - o selo que nos unia:
E assim será com o Sol que há-de nascer.
Correm as horas, iguais e indolentes,
Todas irmãs, e todas tão diferentes.

O beijo, o derradeiro, doce cruel,
Rasga a trama sublime deste amor.
O pé apressa-se, pára, foge do umbral,
Expulso pelo anjo de espada a flamejar;
Fixa o olhar o caminho, enfadado,
Volta-se, triste — o portão está fechado.

Fechado em si agora o coração.
Como se nunca aberto se tivesse
Nem, com os astros em competição,
Com ela horas de sonho desfrutasse;
E arrependimentos, cuidados, desprazer,
Como ar de chumbo sobre ele a pesar.

Mas não nos resta o mundo? -  Estes rochedos.
De sombras sacras não estão coroados?
Não sazona a colheita? E os campos verdes
Não se estendem por rios, bosques e prados?
E não se arqueia a cósmica grandeza,
Ou rica em formas, ou nua de beleza?

Grácil e leve, em claro tecido, aéreo,
Paira, seráfica, entre brumas estelares,
Como que a ela igual, no azul etéreo,
Forma esbelta, de diáfanos vapores:
Assim a viste dançando, esplendorosa,
Das formas graciosas a mais graciosa.

Mas só por uns instantes ousaras
Um fantasma reter em seu lugar;
Volta ao coração! Aí a encontrarás,
Em mil formas se oferecendo ao teu olhar;
E uma verás em muitas convertida,
Em milhares delas, cada vez mais querida.

Ficava às portas, como para receber-me,
Passo a passo me levando ao desvairo;
Depois do último beijo inda alcançar-me
Para nos lábios me pôr o derradeiro:
E fica-me essa imagem clara e viva
No coração fiel a fogo escrita.

Muralha alcandorada, o coração,
Que a guarda em si e se guarda para ela,
Que por ela se alegra com a própria duração,
Só de si sabe quando ela se revela,
Se sente livre nessa amada prisão,
E por ela bate, todo gratidão.

Se morta e apagada estava em mim
A vontade de amar, de ser amado,
Logo o desejo de nova ação senti,
De decisões, projetos esperançados!
E se é verdade que o amor inspira o amante,
Eu próprio disso sou prova eloquente;

E a ela o devo! Que angústia interior,
No corpo e n’ alma odiada opressão:
Assediado por imagens de terror,
No deserto vazio do coração:
Mas nasce a esperança no conhecido umbral,
E ela mesma aparece, um claro Sol.

À paz de Deus que neste mundo a vós
a razão consola — é o que lemos —
Comparo do amor a serena paz
Na presença do ser que mais amamos’
Repousa o coração, e nada abala
Este forte sentir de ser só dela.

Na nossa alma pura há uma saudade
De só nos darmos, em gesto livre e grato,
A uma pura, ignota, alta entidade,
Desvelando em nós o eterno Inominado;
Devoção lhe chamamos, e eu sinto
Esse êxtase quando ante ela me encontro.

O seu olhar, como a força do Sol,
O seu hálito, como a brisa de Maio,
Faz degelar, como em cripta invernal,
O egoísmo que o tempo inteiriçou;
Não há interesse, vontade, que resistam,
Quando ela chega logo eles se dissipam.

É como se dissesse: «De hora a hora
Amavelmente a vida nos é dada,
O que ontem foi, mal o temos agora.
A ciência do futuro é-nos vedada:
E sempre que à noitinha tive medo,
O pôr do Sol me encontrou vivo e ledo.

«Por isso, faz como eu e olha, sensato,
O instante de frente, sem adiar!
Enfrenta-o logo, benévolo, animado,
Quer para o prazer da ação, quer para amar:
Onde estiveres, sê tudo, infantilmente,
E serás tudo, insuperável sempre.»

Tu falas bem, pensei, e a ti te deu
Um deus por companhia o dom do instante,
E cada um num instante se sente a teu
Lado ao dom dos Fados pretendente;
Assusta-me o sinal que a num de ti
Me afasta — tanto saber para quê?

Estou longe agora! Ao minuto que passa
Que coisa convém mais? Não sei dizer;
Algo de bom me oferece, com a beleza,

Mas só me pesa, tenho de o repelir;
Move-me a ânsia indócil que há em mim
E o que me resta são lágrimas sem fim.

Brotai então, e correi sem parar,
Mas o fogo interior não esfriareis!
Um furor louco meu peito quer rasgar,
Vida e morte entram em luta feroz.
Para a dor do corpo mezinha iria achar,
Mas falta ao espírito a decisão, o querer,

E o entendimento: como passar sem ela?
E mil vezes convoca a sua imagem,
Que ora lhe é roubada, ora vacila,
Nítida agora, depois uma miragem;
Virá alguma vez consolação
Do vaivém das marés do coração?

Deixai-me aqui, meus fiéis companheiros,
Entre pântano e musgo, numa fraga;
O mundo abre-se a vós. Ide, ligeiros!
Sublime e grande é o Céu, a Terra larga;
Estudai, juntai os factos, e na procura
Balbuciai os segredos da Natura.

Perdi o Todo, de mim já me perdera,
Eu, ainda há pouco o eleito dos deuses.
À prova me puseram, veio Pandora
Cheia de bens, e inda mais de reveses:
A uma pródiga boca me prenderam,

E com a separação morte me deram.

- Johann Wolfgang von Goethe,
Por Ariana L. Prestes

Para viver um grande amor...

terça-feira, 26 de agosto de 2014


É que, mesmo prepotente, sou eu e mais três conscientes, que se aproximam do saber verdadeiro e realmente fazem
 por onde, tudo o que compreendem.

Independente do que ocorra, ou da infeliz ideia de pensar que se sabe tudo sobre outrem...
Tudo sobre aquele que também parece saber do significado...
É ter fé de não cairmos no azar, de por ventura, o amado não passar apenas de mais outro equivocado.
Destes quaisquer que no final das contas,
 só "acham" que sabem algo.
...
Lado da face complicado, sobre a filosofia de Viver o Grande Amado.




Por Ariana L. Prestes