Alberto Caeiro e La Fontaine

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014




O amor é uma companhia. 
Já não sei andar só pelos caminhos, 
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa 
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo. 
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo. 
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar. 
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. 
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela. 
Todo eu sou qualquer força que me abandona. 

Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.


Os dois pombos


Amavam-se dois pombos ternamente
Com suave meiguice e amor profundo.
Um deles – que loucura! – de repente
À casa toma tédio, quer ver mundo.

«Que vais fazer? – diz-lhe então
Já saudoso o companheiro.
Medita, pensa primeiro,
Assim deixas teu irmão?
Ninguém duvida que a ausência
É dos males o maior;
Não para ti!... Só se for
Que os trabalhos, a inclemência,
E dessa jornada o p’rigo,
Que pretendes arrostar,
Possam teu peito mudar
Em peito bondoso, amigo.
Se mais perto a Primavera
Sorrisse alegre, então... vá!
Quem te obriga a partir já?
Espera o zéfiro, espera.
Há pouco um sinistro corvo
Crocitou, e à nossa raça
Agoirou muita desgraça
Em tom profético e torvo.
Só nas coisas infelizes
Doravante pensarei;
Em redes, falcões, que sei?...
Tiros, flechas e boízes.
Ah! – direi quando chover:
Meu pobre irmão, coitadinho,
Terá ceia, terá ninho,
E tudo o que lhe é mister?»

Esta linguagem branda e cheia de bondade
Enternecê-lo faz;
Teve porém mais força a indómita vontade
Do viajante audaz.

«Não chores; três dias bastam-me
– Já vês que é curta a demora –
Para matar este férvido
Desejo que me devora.
Quando voltar, com que júbilo
Referirei por miúdo
Aventuras, episódios,
Incidentes, tudo, tudo!
Quem pouco vê, é certíssimo,
Que pouco pode contar.
Eu te direi que em tal época
Achava-me em tal lugar,
E tu, enlevado, extático,
De me ouvir falar assim,
Hás-de julgar – asseguro-te –
Que estavas ao pé de mim.»

Assim falou, e em pranto de soluços
Despediram-se os dois. O viajante
A jornada começa. Não distante
Da casa, que fugira, carregada
Ergue-se no ocidente escura nuvem
Que em chuva se desata, e o peregrino
Corta os ares em louco desatino,
Um albergue buscando, uma pousada.
Negro tronco, de folhas quase nu,
Se lhe depara então. Voa ligeiro,
E mal pôde encontrar de triste ulmeiro
Entre a folhagem rara asilo pobre.
Depois, quando outra vez se anila o céu,
Frio, molhado sai do humilde abrigo,
Enxuga as penas, parte, e muito trigo
Espalhado no campo além descobre.

Outro pombo vê perto, e sem detença
Dirige-se p’ra lá.
E quando cuida mais, quando mais pensa
Gozar com seu igual ventura imensa,
Num laço preso está,
Que por mão ardilosa, enganadora,
Por debaixo do trigo armado fora.

O laço era já velho. O prisioneiro
Esforça-se, porfia, teima, luta;
De tal forma trabalha
Co’as asas, bico e pés, que enfim consegue
Quebrá-lo, ver-se livre, muitas penas
Deixando na batalha.

Mas a fortuna má, que o segue, e nutre
Contra o pombo infeliz ódio entranhado,
Já lhe mostra nos ares um abutre,
Que voraz, esfaimado,
Mal o avista, a vontade sente acesa
De lhe deitar a garra e fazer presa.
E o mísero, que traz restos de guita
A cortar-lhe inda os pés,
Um galeote, um criminoso imita
Fugido das galés.

Eis que porém naquele mesmo instante,
Batendo as asas longas,
Das nuvens arremessa-se gigante
Uma águia, e sem delongas
Trava-se entre os ladrões rude peleja
Por lograr cada qual o que deseja.

O pombo, como terceiro,
Aproveita do combate;
Ergue o voo, e só o abate
Quando encontra um pardieiro,
De seu bárbaro destino
Julgando o pobre animal
Que a peripécia final
Era este caso mofino.
Mas um rapaz turbulento
– Não tem compaixão a infância –
Uma pedra com tal ânsia
Lhe envia, que sem alento
Quase o deixa. Maldizendo
A sua curiosidade,
Vai para casa gemendo,
Meio coxo, meio morto,
E sem outra novidade

Chega do ninho ao conforto.

Por Ariana L. Prestes

Amigo De Los Desiertos?

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Muito bueno!







Por Ariana L. Prestes

Cozas

sexta-feira, 31 de outubro de 2014












"A teoria da modificabilidade cognitiva Estrutural (MCE), formulada pelo psicólogo israelense Reuven Feuerstein, baseia-se na premissa de que existe um potencial de aprendizagem a ser desenvolvido por qualquer sujeito, independente de sua idade ou origem étnica ou cultural.

De acordo com Feuerstein, a maioria de nós apresenta uma série de "funções cognitivas deficientes", ou seja, nossos processos mentais raramente operam em um nível ótimo de funcionamento. A partir de uma avaliação adequada, e com o auxílio de instrumentos concretos de apoio psicopedagógico, a grande maioria dos indivíduos torna-se então capaz de desenvolver essas potencialidades. - Wikipedia".
Por Ariana L. Prestes

Carlos Lyra: Primavera

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Primavera by Carlos Lyra e Dulce Nunes on Grooveshark

O meu amor sozinho
É assim como um jardim sem flor
Só queria poder ir dizer a ela
Como é triste se sentir saudade

É que eu gosto tanto dela
Que é capaz dela gostar de mim
Acontece que eu estou mais longe dela
Que da estrela a reluzir na tarde

Estrela, eu lhe diria
Desce à terra, o amor existe
E a poesia só espera ver nascer a primavera
Para não morrer

Não há amor sozinho
É juntinho que ele fica bom
Eu queria dar-lhe todo o meu carinho
Eu queria ter felicidade

É que o meu amor é tanto
É um encanto que não tem mais fim
E no entanto ela não sabe que isso existe
É tão triste se sentir saudade

Amor, eu lhe direi
Amor que eu tanto procurei
Ah! quem me dera eu pudesse ser
A tua primavera e depois morrer


Por Ariana L. Prestes

Lontrassss!!!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Esse bicho, no dia de hoje, está a me causar um retardo! Não consigo parar de procurar sobre e é tãooooooooooo...

Tirem suas conclusões!

:3

Por Ariana L. Prestes

Secos e Molhados: Primavera nos dentes

quarta-feira, 24 de setembro de 2014


Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe 
E no centro da própria engrenagem 
Inventa contra a mola que resiste 

Quem não vacila mesmo derrotado 
Quem já perdido nunca desespera 
E envolto em tempestade, decepado 
Entre os dentes segura a primavera


Por Ariana L. Prestes

Palestras Importantes

sábado, 20 de setembro de 2014


Um problema, que em nenhum momento da minha vida foi tão notável, exposto nestas palestras de maneira importante à reflexão.

A meia compreensão das coisas, o equívoco sobre a importância do eu - Ignorâncias resignadas, mantidas e levadas preguiçosamente pela sociedade como algo completamente normal.

Convido-lhes a assistir, e empregar um pouco de atenção.





Por Ariana L. Prestes